IBS e Apuração Assistida

Texto por: Thaís Takahashi

Com o objetivo de materializar a implementação da Reforma Tributária, o Comitê Gestor do IBS (entidade responsável pela coordenação, administração e harmonização do IBS) tem disponibilizado cartilhas orientativas aos contribuintes.

Até o momento foram publicadas duas cartilhas: (i) Volume 1, com orientações práticas sobre os efeitos dos documentos fiscais eletrônicos na apuração assistida; e (ii) Volume 2, que contém o manual de orientações sobre o Sistema de Apuração Assistida do IBS.

Trazemos abaixo um resumo dos principais temas tratados e impactos práticos que devem orientar a preparação das empresas para a transição para o novo modelo tributário.

IBS e Documentos Fiscais Eletrônicos (Cartilha do CGIBS – Volume 1): entenda por que a emissão correta passa a ser decisiva para sua empresa

A partir nova lógica da Reforma Tributária os documentos fiscais eletrônicos passam a ser o elemento central da apuração do IBS.

De acordo com as diretrizes operacionais divulgadas pelo Comitê Gestor do IBS, a apuração do imposto passa a ser realizada de forma assistida e automatizada, a partir das informações transmitidas pelas empresas por meio da NF-e e de seus eventos.

Na prática, isso representa uma mudança estrutural:

  • Documentos fiscais deixam de ser apenas instrumentos formais de registro e passam a ser decisivos para o cálculo do IBS;
  • Novos campos e grupos de informações passam a ser obrigatórios para refletir corretamente o fato gerador, a base de cálculo, os créditos e os ajustes;
  • Eventos passam a ser o único meio para estornar créditos, ajustar débitos, tratar perdas, devoluções e doações e viabilizar transferências de créditos (registram situações específicas que produzem efeitos diretos na apuração assistida do IBS).

A qualidade e a consistência dos dados declarados na origem passam a ser decisivos para que a apuração assistida seja realizada de forma correta. Isso significa que:

➡ erros de classificação fiscal ou tributária (cClassTrib), de preenchimento de campos ou de utilização dos eventos impactam diretamente o saldo do IBS;

➡ falhas nos fluxos de emissão e de correção de documentos tendem a gerar divergências, glosas de crédito e retrabalho operacional;

➡ a área fiscal passa a depender da integração entre sistemas, faturamento, logística, compras e contabilidade.

Em resumo: a conformidade tributária começará no layout da nota fiscal. Estabelecer parâmetros fiscais corretos e o adequado tratamento jurídico das operações será primordial para a sistemática de apuração do IBS.

IBS e o Sistema de Apuração Assistida (Cartilha CGIBS – Volume 2): entenda por que sua empresa precisa se preparar agora

O Sistema de Apuração Assistida do IBS inaugura uma nova lógica de apuração dos tributos sobre o consumo no Brasil, com impactos diretos sobre rotinas fiscais, sistemas, controles internos e gestão de créditos.

A partir da nova sistemática:

  • A apuração passa a ser automática, com base exclusiva nos documentos fiscais eletrônicos;
  • Deixa de existir a apuração por estabelecimento, e a empresa passa a ter apuração unificada no CNPJ da matriz;
  • O controle de débitos e créditos passa a ocorrer operação por operação (nota a nota);
  • O momento de aproveitamento do crédito deixa de depender da emissão e escrituração dos documentos fiscais e passa a depender da extinção do débito pelo fornecedor;
  • O recolhimento do IBS passa a ser centralizado, com posterior repartição automática entre Estados e Municípios.

Na prática, isso significa que:

➡ erros de classificação ou de preenchimento da NF-e impactarão diretamente a apuração;

➡ a qualidade dos cadastros fiscais, parametrizações e vínculos entre documentos passa a ser decisiva para a conformidade tributária;

➡ a gestão de créditos e do fluxo de caixa será fundamental em operações com Split Payment e recolhimento pelo adquirente.

Nossa equipe atua no apoio às empresas na preparação prática para esse novo cenário, incluindo:

  • Mapeamento dos fluxos de emissão de documentos fiscais à luz das regras do IBS;
  • Validação dos procedimentos de emissão de notas de débito, notas de crédito e eventos;
  • Revisão dos cadastros fiscais e das classificações tributárias;
  • Diagnóstico dos impactos operacionais da apuração assistida sobre sistemas e processos internos.
  • Preparação da empresa para o novo modelo de controle, crédito e recolhimento.

Antecipar a adequação dos documentos e dos processos fiscais, contábeis e sistêmicos é o fator decisivo para a redução de riscos na transição para o IBS, e um passo essencial para a implementação segura da Reforma Tributária.

Se a sua empresa já iniciou a avaliação dos impactos da Reforma Tributária, este é o momento ideal para estruturar um plano de ação para a implementação do novo modelo tributário.